quarta-feira, 30 de março de 2011

Foi-se...



Foi-se...

Foi-se a vida, foi-se o tempo.

Foi-se o choro de criança.

Foi-se o olhar de inquietude,

Foi-se a pose de boudoir.

Foi-se a menina luxúria, mais a velha invejosa.

Foi-se a alcova molhada, mais o cheiro de amor.

Foi-se a mulher e os filhos, o marido e os chinelos.

Foi-se a preguiça de levantar e a preguiça de trabalhar,

Foi-se o passo apressado.

Foi-se o grito e o sorriso, mais o riso desbragado.

Foi-se a ira, mais a gula.

Foi-se a gaiola dourada, mais o barraco de lata.

Foi-se a avareza, a soberba, e o espelho luzidío.

Foi-se a mentira, a verdade e a língua mentirosa.

Foi-se o castelo e o sonho, mais o baralho de cartas.

Foi-se o cigarro na boca, a doença e a fobia.

Foi-se o medo de não voltar.

Foi-se...

Carla Faro Barros

terça-feira, 19 de maio de 2009

Teatros de Madeira




A Gaivota e o Gato que a ensinou a voar, 2009
Acrílico s/ placas de madeira
dim. 100x100x30 cm

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

O Gato das botas, o ogre do rato e a perdiz



O Gato das Botas, o ogre do rato e a Perdiz, 2009
dim.125x125x30cm
Acrílico s/ placas de madeira

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Sua Alteza o Rei Abílio, a porca da mãe e o colibri




Sua Alteza o Rei Abílio, a porca da mãe e o colibri
dim. 124x110x10 cm

sábado, 16 de fevereiro de 2008

Relicários



Por vezes, por medo, excluímos todos aqueles que são diferentes de nós.

Excluímos os velhos, por não se mexerem e não serem úteis para a sociedade; os jovens, por serem indisciplinados, irreverentes; os doentes porque incomodam; os fracos porque não estamos para andar com eles ao colo; os deficientes por os considerarmos incapazes; os estrangeiros porque são diferentes; os imigrantes porque ocupam os nossos lugares de trabalho; os drogados e os alcoólicos porque não temos solução para eles; os portadores de sida porque nos podem contagiar; os prisioneiros porque foram pecadores,...

Mas o que não reparamos é que nalgum ponto desta lista, nalgum momento da nossa vida lá vamos estar nós a sentirmo-nos excluídos.

É por medo que nos tornamos violentos, intolerantes, egoístas, racistas, xenófobos.

Enclausuramo-nos nas nossas gaiolas douradas, nos nossos altares privados, venerando-nos uns aos outros dentro da nossa cultura, dos nossos hábitos, das nossas "vidinhas"...

Novos medos conduzem a novas cruzadas, impedindo-nos assim de nos comportarmos inteiramente como seres humanos.

O meu olhar magoa-te?


quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Por de baixo desta carapaça



Por de baixo desta carapaça que me aprisiona está o meu Eu.
Um ser que não se vê, mas que se olha e sente.
Por de baixo desta carapaça cinzenta que me sufoca está um ser cheio de cor e vida.
Olho-me ao espelho e o meu rosto cobre-se de formas e cores.
Por de baixo desta carapaça claustrofóbica, sinto--me nua, livre, sem passado nem futuro a deambular pelo Universo.
Por de baixo desta carapaça que me aprisiona, resta-ma o olhar de menina aninhada ao colo do seu pai numa noite de inverno.