sábado, 18 de fevereiro de 2006

Era uma vez...



Era uma vez um ser.

Um ser aprisionado por uma carcaça seca, velha, encarquilhada.

Era uma vez um ser ressequido, queimado pelo tempo.

A pele aprisiona-o, a carne queima-lhe os ossos.

Perante ti o corpo parece possuí-lo, confrontando-o com uma condição à qual está preso.

Era uma vez um ser, que tu não vês, mas que olha para ti como há muitos anos atrás, quando o rosto era de menina e o corpo não lhe pesava.

Um ser cheio de vida, enclausurado num corpo inerte, incapaz de se mover como em tempos idos.
Era uma vez um ser.

Um ser que o foi mas já o não é.




1 comentário:

Madalena disse...

Olá!
Tenho uma enorme admiração pelo seu trabalho...já o conhecia pelas páginas da internet, mas quando vi dois trabalhos ao vivo na fundação josé rodrigues é que despertei seriamente para ele.
Sou aluno na esap, como pude constatar, tambem o foi...
Foi-nos proposto um trabalho de interpretação de um qualquer artista...Gostava de o fazer apartir da sua obra...Nao quero parecer pedante, nem lambe botas...mas se me puder dizer algo que me possa ajudar e que não conste algures na internet...ficava muito agradecido..mesmo.
Cumprimentos: Joao Sousa Pinto
email: eyahcrl@hotmail.com